segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Dia da Minha Morte

Sobre o autor:
Ricardo Bellei reside em Pato Branco - Paraná, e é professor de Matemática.

Prólogo
Vigiai, pois, porque não sabeis o dia em que vosso Senhor virá. (Mt, 24, 42).


Um menino entrou correndo na sala dos professores e, quase sem fôlego, diz atropeladamente aos presentes:
-O profe Ricardo morreu!
-Que é isso menino? Que brincadeira é essa?
Mas era verdade. O professor Ricardo havia morrido.
No dia em que morri fazia um calor terrível. Mas isto, meus amigos, não tem nenhuma importância. Também não tem importância o fato de que eu estava de jaleco branco e azul; tampouco que eu estava de mau-humor. Muito menos que meu estômago estava doendo. Eu morri.
Lembro que estava resolvendo um exercício de logaritmo e, repentinamente, senti uma forte náusea. Num gesto instintivo, fechei os olhos e massageei o ventre. Ao abrir os olhos, a dor que sempre me acompanhou havia desaparecido completamente. Suspirei profundamente. Virei-me para os alunos na intenção de continuar a aula (pois quase todos os professores de matemática lecionam como os padres de antigamente: de costas para o povo e falando uma linguagem obscura e incompreensível) e o mais interessante foi ver uma multidão de pessoas gritando e amontoando-se ao redor de um corpo que jazia inerte sobre o tablado: no caso, o corpo era o meu.
De fato, eu havia morrido.
Não fiz drama. Estava tudo acabado mesmo. “La commedia è finita”, diz a última fala do palhaço Canio. De fato, tudo é silêncio. Compreendi o que significa: “deixem os mortos em paz!”, ou também: “Descansem em paz”. Pelo menos não teria que levantar cedo nunca mais. Também não dormiria mais, mas isto não vêm ao caso agora.
Havia muita gente em meu velório. Na verdade, eu não conhecia ninguém. Dizem que quando morremos esquecemos de tudo.
Também não reconheci onde estava o meu corpo. Pensei em meus pais, em minha namorada, em meus amigos, mas enxergava apenas vultos desconexos ao redor de meu já rígido corpo. O mais engraçado, porém, foi perceber que eu podia ouvir e entender tudo o que se dizia. O problema, porém, foi saber e aceitar o quê pensavam e cochichavam sobre mim...
-Que pecado, um rapaz tão novo, tão cheio de vida, tão alegre!
-Alegre nada! Vivia de mau-humor, brigava com todo mundo!
-Que é isso! Ele era uma pessoa íntegra e culta!
-Como? Ele não passava de um falso moralista, um hipócrita!
-Mas ele não vivia na Igreja?
-Sim, mas era só para aparecer!
-Capaz, meu Deus, aonde este mundo vai parar! Não se pode mais confiar em ninguém!
E estes foram os comentários mais leves. Não que eu tenha medo ou vergonha de contá-los agora que estou morto. Apenas acho que não interessaria a ninguém saber que fui um verme. Para início de conversa, inúmeros vermes já haviam começado a devora-me.
A missa estava bonita. Tinha música de órgão, mas foi rezada em português. Em latim elas são mais bonitas e solenes. Mas quem era eu para exigir tanto...
Prestei atenção no corpo que estava no caixão. Certa vez um amigo meu escreveu que o nariz dele era grande. O meu, sinceramente, é imenso. Ou melhor, era.
Havia uma moça que chorava sem parar no cortejo. Não sei quem era, mas era muito bonita.
Após o enterro, pensei em meus livros. O que seria deles? Mas o que importam agora? Estou morto e isto basta.
Comecei a andar sem destino. Desculpem-me. Esqueci que agora não ando e que não há mais destino. Mas sabem de uma coisa? Não preciso mais dar satisfações a ninguém. Estou morto. Falo como quiser! Mas continuarei usando as palavras que conhecia quando estava vivo para não confundir os leitores.
Como ia dizendo, andei sem destino. O estranho é que tudo havia desaparecido: casas, ruas... À minha frente apenas dois bêbados mendigos que remexiam em uns panos sujos e pestilentos. Um deles olhou-me e disse:
-Ei doutor! Você sabe por que as pessoas vão à Igreja?
Tentei responder. Pensei em tudo o que havia estudado e não consegui lembrar-me de nada. Quando não temos os papéis escritos em nossa frente tornamo-nos imbecis.
-Ei doutor, retrucou novamente o bêbado, você sabe por que as pessoas rezam?
Respondi-lhe que não.
No alto de sua sabedoria, o ébrio disse:
-Porque as pessoas têm medo do inferno.
Virei as costas para os dois e continuei andando. Perguntei-me o que dois bêbados faziam em minha morte e porque me questionaram. Ainda absorto em pensamentos, reparei que um leproso apareceu. É estranho como ocorrem coisas estranhas no além túmulo. O dito leproso exalava um cheiro que sequer os mortos agüentam. De sua boca caíam gotas de um prurido fétido e viscoso. Tentei correr. Estava paralisado. Ele então me disse:
-Siga-me Ricardo.
-Como me conhece? Quem é você?
Ele então se aproximou e pude sentir o odor pestilento impregnando-se em mim. Estando a milímetros do meu rosto, disse-me:
-Sou sua alma.
Dizer que quase morri não mais era possível. O pavor tomou conta de mim. A dor voltou. Na verdade, ela era agora pior que quando eu estava vivo. Comecei a chorar amargamente ao ver como era minha alma na verdade: podre, malcheirosa e asquerosa.
O leproso sentou-se ao meu lado e à nossa frente surgiu uma espécie de telão. Compreendi que a hora de meu julgamento havia chegado.
O que comecei a ver na tela foi, nada mais, nada menos, que minha própria vida.
Reconheci os momentos em que fui falso, minha mentiras, minha profunda arrogância, todos os meus medos, meus falsos testemunhos, minha imensa presunção, meu gigantesco orgulho. Vi também, claramente, todos os instantes em que deixei de prestar atenção aos sofrimentos alheios, todas as minhas decisões erradas, todas as palavras ríspidas que disse. Tudo.
Tive certeza absoluta que aquilo tudo – o rever minha vida segundo a segundo – era, verdadeiramente, o inferno. Arder no fogo do inferno torna-se, depois de morto, arder de vergonha pelo amor não praticado. Quando tempo perdi com superficialidades? Quantas mentiras. Eu jamais fiz algo.
Após segundos que pareciam eternos, falei ao leproso:
- Qual o veredito? Qual o castigo?
Sem hesitar, ele disse:
- Culpado, mil vezes culpado. Sem apelação. Seu castigo será ficar aqui, onde estás, parado, observando, revendo sem jamais parar, toda a sua vida. Você está condenado a eternamente ver os seus erros e quais eram os caminhos que você deveria ter seguido.
Um grito de angústia sacudiu todo o meu ser. Subitamente, abri os olhos e percebi que havia apertado o giz com tanta força que o reduzi a pó. Minhas mãos tremiam. Um aluno gritou do fundo da sala:
-O professor não sabe resolver o exercício!
A sala explodiu em risos e gargalhadas.

OBS: O presente conto é dedicado especialmente ao amigo Maurício Vendrusculo, que foi o verdadeiro autor da idéia de Inferno e também aos dois mendigos, que tão cruelmente mostraram a fragilidade de meus conhecimentos. Agradeço também ao amigo Marcos Pizzolatto pelos preciosos comentários referentes ao texto.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Eu já desconfiava!!!!!!!!!!!!!

Pois está claro...
O Sr. Secretário de Estado veio a público ( confesso que com mau aspecto pois já lhe vi ar mais saudável),dizer que os professores contratados que não fossem avaliados ficariam desempregados... :))))))))))))))... :)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))...Querem lá ver que até o secretário de estado já precisa de um part time para fazer face à crise??? Quererá, por ventura, dar ele as aulas dos milhares de contratados??????? Ou tem muita gente na familia pronta para assumir o cargo????????? Estou a pensar que uma providencia cautelar vinha a matar...Então os senhores não fizeram a lei? Não foram os autores de tamanha obra de rigor tão cientifico?? Ora, assim sendo, se os Conselhos Executivos não fizerem as ditas cujas, venham os senhores avaliar...Mas vos garanto que, se eu não ficar com o meu trabalhinho mal pago por incúria vossa, o tribunal europeu terá que ouvir falar de uma tal professora de portugal que não achou piada a mais uma das alucinadas piadas ministeriais!!!!!!!!!!!!!Eu não sei se será ecstasy, maconha, coca...mas começo a desconfiar!!!!!
Agora estou no sofá à espera...Quem sabe um destes dias, e por inspiração no que todos vêem mas que nunca acontece, o secretário não começa ao estalo com a ministra por causa tempo de antena???!!!É que a senhora tem aparecido mais e ele gosta de dizer piadas...portanto, qual "rato fedorento" quererá declarar coisas importantes ao país............
Já sabem simples professores contratados...a droga chegou à educação por via ministerial...a miséria instalou-se na educação...
No que me diz respeito, vou para arrumadora de carros em S.Bento...e quem sabe passo a ter acesso ao produto que origina idéias magnificas...já me estou a ver na tese "como avaliar um ministro"... :))))))))))))))))))))))))))))) A ver pela merda que fazem...vou gastar muito rolo de papel higiénico!!!!!!!!!!!!
Ai doutori...ele anda tão descorado....será do pó de talco?
Não???Ecta...o quei???????????????????????

sábado, 15 de março de 2008

Testemunhai o meu ócio e o tempo que tenho

Amigos...!
Entre o estatuto do aluno e os objectivos pessoais, as acções de formação pós laborais, as reuniões intercalares, as reuniões de directores de turma, as avaliações e os fins de semana com o desporto escolar...concluí, naturalmente, que tal como diz muita gente, os professores não trabalham!!!!!!!!!!!Por isso aqui fica a nota:
estou sem tempo mas é porque não tenho nada para fazer!!!!!!!!!!!
Ai doutori...aquela receita de cocktail-molotof ainda é igual??????E a quantidade de gasolina é a mesma???Agora é uma chatice,com a subida dos combustiveis...qualquer ataque fica pela hora da morte!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Ah,pois é...bebé!!!!!!!!!!

As desculpas pela ausência mas...tenho andado a fazer reuniões e contas,muitas contas...apesar de preferir os contos...de fadas!!!!!!!!!!!!
Então Sinistra Ministra????????!!!!!!Qualquer um pode ser ministro!!!!!Toma lá,e já vai tarde!
Apreciei a observação...conhecida e reconhecidamente verdadeira!Não pude assistir ao debate porque sou uma mulher sensível e a ausência de beleza ministerial causa-me alguns arrepios... Patinha feia,porca e má!!!!Maga Patalógica mal resolvida e mal fo...rmada!!!!!Ou será mal formatada?Bem...tanto faz!Continuo na minha...a falta de "peso" pode provocar sérios danos de personalidade e o exemplo vem de cima,por isso tende tino...Que nunca nos falte o "peso" para que possamos viver e deixar viver!!!!!!!!!!!!!
Um bem haja a todas as mulheres cujo "peso" é uma constante na sua vida!Para as outras...temos pena mas,por favor,não tomem o exemplo do que vem de cima...Ah,pois é...bebé!
Ai doutori...que feia que ela é...mas governa a educação de forma muito aciganada,sem dúvida!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008





































Carlos Drummond de Andrade

As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionáriose
a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Lá está!!!!!!! A Carneirada Maravilha!!!!!!!

Não,apesar do título sugerir actividade carnavalesca,tipo corso de Torres Vedras,o assunto é muito sério.
EU SOU PROFESSORA,EU SOU PROFESSORA,EU SOU PROFESSORA...e vocês,colegas de escola e profissão,o que são????É deste modo que surge a carneirada maravilha...
Polémico e inadmissivel é pouco para caracterizar o novo sistema de avaliação dos professores.Lá na escola onde costumava dar aulas(sim,porque agora passo a vida em reuniões e preocupações com folhas de excell com avaliações dos ultimos 3 anos...),dizia eu,toda a gente anda a fazer contas...somas das médias,médias das somas,percentagem de positivas e negativas,a média aritmética da soma das médias das percentagens da média da disciplina que tem mais média...
:((((( ://///////:)))))))))))...É isso...estou a rir-me...agora percebi aquela coisa da ministra e do plano da matemática!!!A Sinistra Ministra ludibriou-nos...o plano da matemática era para nós, professores!Agora fez-se luz!!!!!!!!Assim,sim...a carneirada maravilha vai lançada,diria mesmo eufórica,para ver quem ganha e pode participar nas olimpiadas da estupidez...Estupida e ignorante esta variante de avaliação...imbecil na sua concepção...imbecil o "pensador" que lhe deu origem...carneirada maravilha estúpida,imbecil e ignorante da qual faço parte...hoje sinto-me furiosa,possessa,louca de ódio por pertencer à carneirada...Sinto-me na obrigação de pedir desculpa aos meus professores de escola,aos meus companheiros de luta e sobretudo à minha Mãe que à sua maneira foi capitã de Abril e me educou para nunca ser mais uma a fazer parte da carneirada...Sinto-me envergonhada por ser professora e ter que participar nesta marcha de carneiros...
Olhem...vou gritando aqui...em prol do exorcismo das más energias e influências...
EU SOU PROFESSORA,EU SOU PROFESSORA,EU SOU PROFESSORA...
Ai doutori...hoje dói-me tudo...até me dói a raiva!!!!!!